NUA

Chegando o ano novo. Partindo o ano velho.

E o que eu fiz com o ano que passou?

Arrastei minha mala de sentimentos por todos os lados e não soube o que fazer com eles. Não soube pra onde ir com eles. Não soube não saber.

E quanto mais eu tinha a percepção do movimento cíclico que eu dispensava, mais em círculos eu andava e vagueava. Parei de ser para somente existir.

Um dia após o outro. Apenas sendo.

Me culpei por não despertar paixões avassaladoras, por ter guardado uma escova de dentes em vão. Chorei por não ter provocado no outro a vontade de ficar. Me irritei por ser apenas desejada e não amada. Me irritei por não ter voz, por não ter vez, por não ser reconhecida, por não ser valorada. Perdi inúmeras noites de sono por todas essas coisas. Por ter ganho peso, e por não conseguir fazer nada a respeito. Por ter perdido tempo, e não ter feito nada para recuperá-lo.

Ensaiei uma mudança de atitude, e a cada dia mais tive vontade de voltar à atitude antiga. (Mesmos resultados com comportamentos diferentes)

Estive errada. Julguei errado. Me decepcionei. E mais uma vez chorei.

Mas confessar os pecados não é pecar. Reconhecer os erros não é errar. E isso, de forma alguma me torna menor. Na verdade, me torna inteira.

Eu não preciso ser feliz o tempo todo. Eu não preciso saber tudo o tempo todo. Eu não preciso ser sensacional o tempo todo. Eu não preciso estar certa o tempo todo. Eu não preciso me livrar da mala esbaforidamente só porque a carrego há tempos demais. Eu não preciso. Eu simplesmente não preciso. 

E assim, entro na nova idade sem o peso do "ter que" alguma coisa. Entro apenas existindo, mas quem saiba eu não saia dela sendo?

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