"Quem é você?"
"Petralha ou coxinha?"
"Roqueira? Do metal ou do hardcore? Forrozeira? Pagodeira? Funqueira?"
"Do dia ou da noite?"
"Dos esportes ou dos colchões?" "Da balada ou caseira?"
"Quem é você?" "O que é você?"
E assim, tentam que eu resuma, para entenderem uma vida inteira.
E é isso que eu sou: uma vida inteira. No momento uma vida inteira de aproximadamente 36 anos e 11 meses. Uma vida inteira de experiências que me mostraram que com gente não se usa rótulos. Com gente, não se resume e separa em caixinhas. Com gente, não se uniformiza. Com gente... Não há tradução, não há guia, sequer se enumera a composição. Com gente, se vive.
Mesmo sabendo disso, as vezes esqueço de me policiar para parar de prejulgar o que eu vejo, sem me atentar para o que eu possa ouvir sobre aquela vida inteira. As vezes, nem dou a chance para a voz, só para a minha interna que em 1 minuto, já tacha, já dá nomes e resume aquele outro. É difícil conseguir, mas não vou desistir de tentar.
Sei o que eu sou: um complexo de tantas coisas... Quero ser entendida assim: um complexo de um monte de coisas. Assim, como posso querer ver o outro como um rio claro de águas mansas? Ninguém o é. E quero mais, quero que, de fato, ninguém o seja.
Quero dúvidas, confrontos, dilemas. Quero alegrias, tristezas, experiências. Quero vida. Quero encontrar no outro, vida. Quero ver nos olhos do outro, vida. Quero ouvir da boca do outro, vida. Quero dizer no ouvido do outro, vida. Quero encontrar no cérebro do outro, contrapontos às minhas certezas. Quero vivenciar pelo outro experiências que nunca vivi, para entender o que eu nunca entendi...
E com isso, me dispo mais uma vez do que eu era, para de novo, ser. Com isso, me torno outra, sendo eu mesma. Com isso continuo sendo, sem nunca ter sido. Com isso, vivo e sou uma nova "eu mesma", mais uma vez, seguindo sendo uma vida inteira. E uma vida inteira não cabe num texto.
Ainda quer me conhecer?
VIVA-ME E MOSTRO-ME.
"Com gente se vive" e convive, o que é ainda muito mais complexo.
ResponderExcluirÉ Maria! O conviver que é o problema, inspiraria vários textos!!!!! Rs
ExcluirObrigada pela sua contribuição!