E o mundo girando, me deixa mais perto do sol.
Já guardei dois edredons, só habitando um na minha cama.
Meus chás noturnos não são mais tomados com a mesma frequência e uso menos blusas de frio.
Sinto o inverno indo embora.
E queria sinceramente que você fosse com ele. Apreciaria muito ter-me de volta pra mim, inteira.
Mas tudo me lembra você.
Me deparo com o seu nome (o que é bem difícil), com o seu irmão dizendo que a gente tinha que voltar, com as músicas, com o seu cheiro, com a sua cor...
Daí, invariavelmente, eu abro o meu coração dourado, e vou revirando os aviõezinhos que você me mandava. Me deparei com este com o qual encerrei a minha noite:
"Te amo muito minha Pretinha
e nada vai mudar isso.
Te amo
Te amo
Te amo
Te amo"
Então eu percebo que o meu coração dourado cheio de "eu te amos" deve ser guardado para me lembrar dos bons momentos... para me lembrar do porquê eu ainda quero o seu bem, do porquê quero te ver crescer, do porquê te quero ver feliz, do porquê de você ter sido especial.
Mas tudo é, como este inverno está próximo de ser: Passado.
Fico com o coração, mas me despeço de você. Vou te deixar partir de mim.
Vai doer. Mas as dores de ontem, as de agora e as que virão, com o tempo encontrarão o seu lugar ou passarão. O que vai ficar é a experiência.
Mesmo com "um gosto de fel que é mais doce no fundo", não terei "a imensa solidão de quem fugiu da Vida e covarde impressão de quem fugiu do mundo", como poetizou J.G. de Araújo Jorge.
Eu te vivi, eu te amei, eu me doei. Não estamos mais juntos, mas aprendemos um com o outro.
Foi bom. Mas foi.
(Sim, eu menti pra você quando disse ou dei a entender que não tinha ideia de onde os aviõezinhos estavam, querendo que você achasse que eles não tinham mais nenhuma importância pra mim. Mas tem, e ainda os tenho e essa é a verdade)
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